quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O PSOL ou: a esquerda e a direita no Brasil 2

Por Dalva Teodorescu

O PSOL é um partido que me intriga. Confesso que já votei em candidatos do PSOL, mas hoje questiono esse voto.

Causa-me estranheza o PSOL se dizer um partido de esquerda ao ponto de romper com o PT, por não concordar com as políticas de seu governo, fazer seguidamente alianças com a oposição de direita, ou seja, com o DEM, o PSDB e com o PPS, sem a menor cerimônia.

Alguém já viu o Partido Comunista Francês ou o Novo Partido Anticapitalista fazer alianças com o UMP, partido de Sarkozy, só para fazer oposição ao PS? Impossível de imaginar.

Do mesmo modo, alguém viu o Partido Comunista Italiano fazer aliança com a Liga do Norte ou com o Força Itália de Berlusconi? Nunca.

Podem ser inimigos nos pleitos eleitorais, nos programas políticos, podem classificar os socialistas de esquerda caviar, mas na hora de ganhar eleições se unem contra a direita. Isso é regra.

Pois o PSOL, nas eleições municipais de 2006 declarou voto ao Kassab, dizendo que era um voto anti PT. Não sei se o PSOL assume isso, mas é a pura verdade.

Não ocorreu aos líderes do partido que estavam votando não contra a Marta Suplicy, mas a favor de um prefeito do DEM, o partido que apoiou a Ditadura Militar, sem constrangimento, quando se chamava ARENA e que depois virou PFL antes de se autodenominar pomposamente Democratas.

É demais. Se o PSOL quer ser um partido de esquerda, mais à esquerda do que o PT, é um direito seu e é saudável, mas que seja coerente fazendo uma oposição de esquerda.

O PSOL pode, por exemplo, se unir ao PSTU ou outras siglas de esquerda que aparecem por ocasião das eleições.

Claro que não teria os mesmos holofotes de quando se alia ao DEM e o PSDB, mas seria mais credível e mais coerente com sua reivindicação de partido de esquerda.

A esquerda e a direita no Brasil 1

Por Dalva Teodorescu

No Brasil, costuma se dizer, não existe mais diferenças entre a política de esquerda e de direita. A noção estaria assim obsoleta. Essa é a opinião de muitos partidos políticos e também da maior parte da mídia.

Nada de mais falacioso. A ideia convém aos partidos desprovidos de ideologia, que veem na atividade política um balcão de negócios.

Existem sim políticas de esquerda e de direita. A democracia não invalida essas noções, ao contrário as reforça.

É só ver o exemplo da Social Democracia Europeia, onde os partidos e seus eleitores nunca deixaram de se classificar como de direita, de esquerda e de centro. É assim na Inglaterra, na França, na Espanha, na Alemanha, na Itália e no Portugal, para citar alguns.

Dificilmente um brasileiro se diz de esquerda. De direita então nem se fala. Ninguém é de direita e nenhum partido se autodenomina de direita, nem mesmo o DEM.

Em um governo de esquerda, ou trabalhista, a presença do Estado na economia é importante. Suas políticas devem beneficiar os mais carentes. A distribuição da renda se faz através da cobrança de impostos (Os ricos pagam mais), de um salário mínimo que cubra os gastos reais do trabalhador e de políticas sociais voltadas para os mais pobres. No caso de países como o Brasil, com grande extensão de terras e grande massa populacional na extrema pobreza, a reforma agrária é uma realidade inevitável.

Em um governo de direita, o Estado prioriza a economia liberal: ou seja, menos presença do Estado e mais mercado. As verbas para políticas sociais são as primeiras a serem cortadas. As parcerias com entidades da sociedade civil são praticamente desfeitas. Os impostos incidem sobre os mais pobres, porque o mercado, em geral, é subsidiado.

As consequências diretas é o aumento da pobreza, da exclusão social e da violência. É o que se vê, hoje, na Inglaterra e na França. Com os cortes de verba para as políticas sociais e para as ONGs que atuam com os jovens vulneráveis, a violência na periferia explode.

E quando o mercado coloca a economia em crise, chama-se o Estado para resolver, injetando somas monstruosas no mercado financeiro.

Está na hora de acabar com essa hipocrisia e assumir que existe sim diferença entre a esquerda e a direita e dar nomes aos bois.

Se não houvesse abolido a noção de esquerda e direita, os partidos seriam obrigados a escolher o seu campo por ideologia e não por conveniência, como acontece agora com o recém-nascido PSD, do Kassab.

Cria do DEM, o Partido Social Democrático agrupou políticos de vários partidos de direita e centro-direita e diz que não é nem de esquerda, nem de direita e nem de centro.

Kassab cresce com seu PSD e detona PSDB e DEM

Por Dalva Teodorescu

Quem diria que o Kassab, cria de José Serra com o apoio da mídia tucana, iria detonar o PSDB paulista.

E não foi só o tucanato paulista, o DEM também foi dizimado, com o nascimento do PSD.

O  Partido do Kassab, que já chegou grande na Câmara dos Deputados, vai desalojar o DEM da grande sala que ocupa, bem ao lado do plenário.

Um dos mais confortáveis entre os alojamentos do partido, a sala era uma herança dos tempos do PFL, onde mandava Antonio Carlos Magalhães.

Extrema direita universitária se alia a skinheads

Nara Alves e Ricardo Galhardo, iG São Paulo


26/09/2011 07:00


Jovens estudantes neo-conservadores fogem ao estereotipo de arruaceiros mas defendem ação violenta das gangues


Eles não são fortões, não lutam artes marciais, não usam tatuagens com suásticas e preferem os livros e computadores às facas e socos ingleses. Em vez de estações de metrô e shows de punk rock, seu habitat natural são as quitinetes apertadas do Crusp ou os vastos gramados da USP (Universidade de São Paulo). Eles são os neoconservadores, jovens universitários que defendem valores como o direito à propriedade e a fidelidade matrimonial.

À primeira vista, parecem mais universitários comuns, magricelas, com suas calças largas, camisetas amarrotadas e a barba por fazer. Mas apesar de estarem longe do estereotipo do jovem arruaceiro, cerraram fileiras ao lado de skinheads musculosos nas marchas em defesa do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) e na anti-Marcha da Maconha.

“Estamos aqui para batalhar tanto intelectualmente quanto fisicamente”, apregoa Celso Zanaro, 22 anos, estudante de Geografia da USP. “O que precisamos é de homens dispostos a morrer por seus valores”, completou.


Folheto faz propaganda da UCC na USP

Zanaro é um dos quatro integrantes do núcleo duro da União Conservadora Cristã (UCC), organização criada em julho do ano passado nos corredores da USP com os objetivos declarados de defender valores como o casamento, a fidelidade conjugal, direito à propriedade e combater o predomínio do pensamento marxista no meio acadêmico e político.

Pouco mais de um ano depois da criação, a UCC conta com 16 membros, 14 da USP e dois da Unicamp. Parece pouco mas nas eleições para o diretório central da USP, os neoconservadores ficaram em 5º lugar entre as dez chapas concorrentes.

“Na época da campanha fomos procurados pela juventude do PSDB mas não dá para fazer aliança aqui dentro”, disse Zanaro.

Em mais de duas horas de conversa, entre um cigarro e outro, o estudante citou pelo menos 15 autores conservadores, muitos deles nunca traduzidos para o português. Mas as principais referências do grupo são o jornalista Olavo de Carvalho (que defende a pena de morte para os comunistas), o integralismo (versão brasileira do nazismo) de Plínio Salgado e o ultra-conservadorismo de Plínio Correia de Oliveira, fundador da extinta TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade).

Sobre a ditadura militar, Zanaro diz: “Se negarmos com veemência a ditadura não estaremos fazendo nada a mais do que reforçar o discurso comunista. A ditadura foi necessária num contexto”.

Na verdade, ele lamenta a falta de pulso do comando atual das Forças Armadas por não intervir no governo Luiz Inácio Lula da Silva durante o escândalo do mensalão.

“A função das Forças Armadas é respaldar as instituições democráticas. O Legislativo é uma delas. A partir do momento em que existiu um esquema para comprar o Legislativo e as Forças Armadas não depuseram o presidente, elas não cumpriram seu papel”.

Para os jovens da UCC, a USP é um antro comunista, nenhum partido político é suficientemente conservador, a pedofilia na Igreja é fruto da infiltração de agentes da KGB, o sexo é uma forma de idiotização da juventude, Geraldo Alckmin colocou uma mordaça gay na sociedade paulista, Fernando Henrique Cardoso foi o criador de Lula e Lula é o próprio anticristo.

Embora tenha resistido à abordagem da juventude tucana, a UCC votou em massa em José Serra nas eleições presidenciais do ano passado, mas com ressalvas. “Serra é um sujeito que, embora tenha se aliado a setores conservadores e renegado uma postura mais virulenta de esquerda, não abandonou totalmente estes ideais”, justificou.

Os integrantes da UCC dizem ser contra qualquer tipo de violência mas não escondem a admiração pelos skinheads, aliados de ocasião. “Essa postura de combate me inspira muito. Uma inteligência que não está disposta ao combate é uma inteligência vazia”, disse Zanaro que, no entanto, faz questão de demarcar o território. “Eles se dizem de extrema-direita mas o líder deles é vegetariano”.

A aproximação tem base na argumentação ideológica dos neoconservadores, segundo a qual é necessária uma elite intelectual que sirva de referência para a massa. “Uma massa conservadora sem uma elite é uma massa de manobra. Não existe educação para as massas. Precisamos de uma alta cultura que sirva de referência para estas massas”, disse Zanaro.

Apesar da aproximação com grupos que, no limite, praticam a intolerância contra minorias, o líder da UCC esclarece que o movimento não tem ligações como nazismo. “Não somos neonazistas. Ao contrário. Defendemos o estado de Israel”.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Deu na Folha On Line

27/09/2011 - 11h03


Ex-presidente Lula recebe hoje mais um título de doutor

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá nesta terça-feira (27) seu sétimo título doutor "honoris causa", da universidade francesa Sciences Po. A cerimônia de outorga ocorrerá na França.

Doutor "honoris causa" é o titulo atribuído à personalidade que se tenha destacado pelo saber ou pela atuação em prol das artes, das ciências, da filosofia, das letras ou do melhor entendimento entre os povos.

Lula será a 16ª personalidade --a primeira latino-americana-- que receberá essa láurea desde a fundação da Sciences Po, em 1871. O último a ser titulado pela instituição foi o ex-presidente tcheco Václav Havel, em 2009.

Luiz Carlos Murauskas - 15.jul.2011/Folhapress

O ex-presidente Lula receberá hoje seu sétimo título doutor honoris causa

Na ocasião, segundo a instituição, Jean-Claude Casanova, membro do Instituto da França e presidente da Fundação Nacional das Ciências Políticas, pronunciará o "elogio do impetrante" e outorgará o título ao brasileiro na presença dos professores da universidade.

"Mais do que um reconhecimento pessoal, é uma homenagem ao povo brasileiro, que nos últimos oito anos realizou, de modo pacífico e democrático, uma verdadeira revolução econômica e social", afirmou o ex-presidente.


Lula já foi laureado pela Universidade Federal de Viçosa (em janeiro), pela Universidade de Coimbra (março) e, em julho, pela Universidade de Pernambuco, Universidade Federal de Pernambuco e Universidade Federal Rural de Pernambuco.

No último dia 20, ele recebeu em Salvador seu sexto título, outorgado pela Universidade Federal da Bahia.

SCIENCES PO

A Universidade Sciences Po é uma instituição de ensino superior e de pesquisa em ciências humanas e sociais. A universidade tem 10 mil estudantes, dos quais 40% são estrangeiros, oriundos de mais de 130 países.

Foram alunos da instituição os ex-presidentes franceses Jacques Chirac e François Mitterrand, além do príncipe Rainier 3º de Mônaco, do ex-secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) Boutros Boutros-Ghali e do escritor Marcel Proust.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Com maioria no Senado a esquerda avança na França

Por Dalva Teodorescu

O dia 25 de setembro de 2011 vai marcar a história da esquerda francesa. Por voto indireto, a esquerda obteve 177 vagas das 348 no senado, duas a mais para a maioria absoluta.

É a primeira vez desde 1958, quando foi instituída a Vª República por Charles de Gaulle.

Há sete meses das eleições presidenciais de 2012, a virada à esquerda da Câmara alta é um trauma para a direita e para Nicolas Sarkozy.

Depois de perder as eleições municipais e as regionais, a derrota no senado para o partido socialista relança o debate, no campo de Sarkosy, sobre qual estratégia adotar para 2012.

Surge também a questão se Sarkosy vai conseguir adotar sua ‘regra de ouro’ sobre o equilíbrio financeiro que queria inserir na Constituição Francesa.

Claro, o governo francês vai poder contar com o voto da Assembleia Nacional (câmara dos deputados), mas reconhece que é um mau sinal para 2012. Vários ministros de Sarkosy acusam a divisão da direita e pregam união para 2012.

Com Dominique Strauss Khan ou não, os socialistas sempre lideraram as pesquisas de opinião, as vitórias sucessivas parece confirmar este fato. Aguardemos 2012.

O Discurso de Dilma Rousseff na ONU

Por Dalva Teodorescu


Estávamos em férias, mas não podemos deixar de registrar a brilhante prestação da presidenta Dilma Rousseff na abertura da 66.ª Assembleia-Geral da ONU.

Cabe ao Brasil a abertura anual da Assembleia Geral da ONU desde que o diplomata brasileiro, Oswaldo Aranha, inaugurou a primeira Sessão Especial da Assembleia Geral da ONU, em 1947. Chefe da Missão Brasileira junto à ONU, Oswaldo Aranha foi eleito Presidente da ONU em 1947 e reeleito em 1948. Presidiu a sessão de16 de setembro de 1947 em foi aprovada a partilha da Palestina que resultou na criação do Estado de Israel em 1948.


A tradição de ser um brasileiro o primeiro orador da Assembleia Geral da ONU se mantém até hoje o que permitiu à presidente Dilma Rousseff abrir a sua 66.ª Sessão.


Dilma fez história por ter sido a primeira mulher a abrir a Asssembleia Geral da ONU mas também por seu discurso firme ao reafirmar o apoio brasileiro à criação de um estado Palestina e ao seu reconhecimento como estado membro das Nações Unidas.

Também deu grande espaço em seu discurso para a crise econômica internacional. Pediu regulamentação do capital financeiro e fez duras críticas aos países desenvolvidos, por não buscarem soluções políticas para a crise econômica internacional. Soluções que acredita ser mais políticas que financeiras.

Dilma foi aplaudida várias vezes por uma Assembleia repleta.

Aqueles que disseram que o Discurso de Dilma seria ofuscado pelo de Obama, que veio a seguir, se enganaram.

Obama não brilhou. Fez um discurso opaco sobre a Primavera árabe. Excluiu completamente a crise econômica.

Pior, contradisse seu discurso de um ano atrás, na mesma Assembleia, quando insistiu na criação do Estado Palestino a ser apresentada naquela Assembleia. Em num ato precipitado, Obama anunciou o que todos já sabiam: Que iria vetar a proposta de reconhecimento pela ONU da criação de um Estado Palestino.

Obama decepcionou há muitos ali presentes. Sarkozy aproveitou o desgaste do presidente americano e ousou criticar diretamente a posição americana. Disse que a questão Palestina não pode ser a vontade de um único país e propôs que a ONU acate a ideia de um estado Palestino observador e não membro.

Já Dilma insistiu na necessidade de mudança da geopolítica mundial e na urgência de uma reforma do conselho de segurança da ONU para dar espaço a novos atores internacionais.

Tudo isso sem esquecer a importância de uma maior participação das mulheres nas questões políticas.

Um discurso histórico por quem tem o senso da história.