Por Dalva Teodorescu
No Brasil, costuma se dizer, não existe mais diferenças entre a política de esquerda e de direita. A noção estaria assim obsoleta. Essa é a opinião de muitos partidos políticos e também da maior parte da mídia.
Nada de mais falacioso. A ideia convém aos partidos desprovidos de ideologia, que veem na atividade política um balcão de negócios.
Existem sim políticas de esquerda e de direita. A democracia não invalida essas noções, ao contrário as reforça.
É só ver o exemplo da Social Democracia Europeia, onde os partidos e seus eleitores nunca deixaram de se classificar como de direita, de esquerda e de centro. É assim na Inglaterra, na França, na Espanha, na Alemanha, na Itália e no Portugal, para citar alguns.
Dificilmente um brasileiro se diz de esquerda. De direita então nem se fala. Ninguém é de direita e nenhum partido se autodenomina de direita, nem mesmo o DEM.
Em um governo de esquerda, ou trabalhista, a presença do Estado na economia é importante. Suas políticas devem beneficiar os mais carentes. A distribuição da renda se faz através da cobrança de impostos (Os ricos pagam mais), de um salário mínimo que cubra os gastos reais do trabalhador e de políticas sociais voltadas para os mais pobres. No caso de países como o Brasil, com grande extensão de terras e grande massa populacional na extrema pobreza, a reforma agrária é uma realidade inevitável.
Em um governo de direita, o Estado prioriza a economia liberal: ou seja, menos presença do Estado e mais mercado. As verbas para políticas sociais são as primeiras a serem cortadas. As parcerias com entidades da sociedade civil são praticamente desfeitas. Os impostos incidem sobre os mais pobres, porque o mercado, em geral, é subsidiado.
As consequências diretas é o aumento da pobreza, da exclusão social e da violência. É o que se vê, hoje, na Inglaterra e na França. Com os cortes de verba para as políticas sociais e para as ONGs que atuam com os jovens vulneráveis, a violência na periferia explode.
E quando o mercado coloca a economia em crise, chama-se o Estado para resolver, injetando somas monstruosas no mercado financeiro.
Está na hora de acabar com essa hipocrisia e assumir que existe sim diferença entre a esquerda e a direita e dar nomes aos bois.
Se não houvesse abolido a noção de esquerda e direita, os partidos seriam obrigados a escolher o seu campo por ideologia e não por conveniência, como acontece agora com o recém-nascido PSD, do Kassab.
Cria do DEM, o Partido Social Democrático agrupou políticos de vários partidos de direita e centro-direita e diz que não é nem de esquerda, nem de direita e nem de centro.
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