segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O Discurso de Dilma Rousseff na ONU

Por Dalva Teodorescu


Estávamos em férias, mas não podemos deixar de registrar a brilhante prestação da presidenta Dilma Rousseff na abertura da 66.ª Assembleia-Geral da ONU.

Cabe ao Brasil a abertura anual da Assembleia Geral da ONU desde que o diplomata brasileiro, Oswaldo Aranha, inaugurou a primeira Sessão Especial da Assembleia Geral da ONU, em 1947. Chefe da Missão Brasileira junto à ONU, Oswaldo Aranha foi eleito Presidente da ONU em 1947 e reeleito em 1948. Presidiu a sessão de16 de setembro de 1947 em foi aprovada a partilha da Palestina que resultou na criação do Estado de Israel em 1948.


A tradição de ser um brasileiro o primeiro orador da Assembleia Geral da ONU se mantém até hoje o que permitiu à presidente Dilma Rousseff abrir a sua 66.ª Sessão.


Dilma fez história por ter sido a primeira mulher a abrir a Asssembleia Geral da ONU mas também por seu discurso firme ao reafirmar o apoio brasileiro à criação de um estado Palestina e ao seu reconhecimento como estado membro das Nações Unidas.

Também deu grande espaço em seu discurso para a crise econômica internacional. Pediu regulamentação do capital financeiro e fez duras críticas aos países desenvolvidos, por não buscarem soluções políticas para a crise econômica internacional. Soluções que acredita ser mais políticas que financeiras.

Dilma foi aplaudida várias vezes por uma Assembleia repleta.

Aqueles que disseram que o Discurso de Dilma seria ofuscado pelo de Obama, que veio a seguir, se enganaram.

Obama não brilhou. Fez um discurso opaco sobre a Primavera árabe. Excluiu completamente a crise econômica.

Pior, contradisse seu discurso de um ano atrás, na mesma Assembleia, quando insistiu na criação do Estado Palestino a ser apresentada naquela Assembleia. Em num ato precipitado, Obama anunciou o que todos já sabiam: Que iria vetar a proposta de reconhecimento pela ONU da criação de um Estado Palestino.

Obama decepcionou há muitos ali presentes. Sarkozy aproveitou o desgaste do presidente americano e ousou criticar diretamente a posição americana. Disse que a questão Palestina não pode ser a vontade de um único país e propôs que a ONU acate a ideia de um estado Palestino observador e não membro.

Já Dilma insistiu na necessidade de mudança da geopolítica mundial e na urgência de uma reforma do conselho de segurança da ONU para dar espaço a novos atores internacionais.

Tudo isso sem esquecer a importância de uma maior participação das mulheres nas questões políticas.

Um discurso histórico por quem tem o senso da história.

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