sexta-feira, 29 de julho de 2011

A corrupção no Brasil e o discurso da oposição

Por Dalva Teodorescu


No mesmo dia em que a Science Po de Paris homenageava Lula, José Serra dava entrevista ao Jornal Espanhol El País.

Afirmou ao Jornal que a corrupção no Brasil nunca foi tão séria como no governo petista. Disse que a origem da corrupção está no fato do governo entregar áreas de poder aos partidos da base aliada.

O ex-governador de São Paulo omite que a corrupção no Brasil é quase endêmica. Ela nasceu no tempo de Pero Vaz de Caminha (é só ler as biografias das grandes personalidades nacional, como D. Pedro II, Nabuco, etc.).

Todos os cargos do segundo império eram ocupados por apadrinhamento. Inclusive indicação para candidatura à eleição para deputados e senadores.

Veio a República e nada mudou, porque o regime era novo, mas os homens eram os mesmos.

Piorou muito na época da construção de Brasília. Houve denúncias de superfaturamento das obras e favorecimento a empreiteiros ligados ao grupo político do ex-presidente JK. Além de indicìos de que a empresa aérea Paner do Brasil, de propriedade de amigos de Jucelino, detinha a exlusividade do transporte de pessoas, materiais e equipamentos enviados para a construção de Brasília.

Quem não se lembra da campanha para a presidência da República de 1960, quando Jânio Quadros prometia varrer a corrupção de Brasília?

Durante a ditadura militar a coisa piorou ainda mais. A censura aos órgaos de comunicação impedia qualquer tentativa de denúncia.

A área dos transportes virou o grande negócio com as obras que o governo criava no coração do Brasil, em grande parte para combater as guerrilhas.

A Transsamazônica foi uma vergonha nacional. Nós antropólogos assistíamos com dor e impotência cada árvore centenária que tombava na selva amazônica e denunciávamos o descaso com os indíos da região. Isso só nos Centros Acadêmicos. Nada na imprensa. Tudo era proibido.

Veio o ex presidente Collor com a campanha contra os marajás, mas uma vez no governo a corrupção foi tanta que acabou sofrendo impeachment.

No governo Fernado Henrique Cardoso o ministério do transporte ficou com o PMDB e as denúncias de corrupção nunca deixaram de existir. Nem no trasporte nem nas outras áreas. É só lebrar da corrupção na construção do Fórum de Sao Paulo que durou anos e consumiu milhões de reais dos cofres públicos. 

A compra de votos para aprovar emendas era e ainda é uma pratica antiga no Congresso Brasileiro. Começou com Eduardo Azeredo do PSDB de MG . Foi usada para aprovar a reeleição de FHC, mas só veio a público no governo do PT e ficou conhecida por mensalão.

Houve também o mensalão do DEM com imagens estarrecedoras de corrupção por políticos de Brasília.

As denúncias de corrpção aumentaram nos últimos anos porque a Polícia Federal passou a investigar mais e de maneira independenteu. Isto é um fato. Mas é inegável que com o aumento do Estado aumenta também a corrupção.  

Com tudo isso, a oposição, com a cumplicidade da velha mídia, decidiu colar a prática de corrupção ao governo do PT. A reeleição de Lula em 2006 e a vitória de Dilma Rousseff em 2010 mostraram que o povo não endoussou essa visão unilateral forjada pela oposição.

Dilma Rousseff assumiu a presidência e fez o que nenhum de seus sucessores fizeram. Nem FHC nem Lula. Limpou a área dos transportes da influência do PR, o partido do respeitadissímo ex vice presidente José Alencar.  Os brasileiros torcem para que ela continue a limpeza em outros ministérios, feudos dos partidos da base aliada.

Com a limpeza no seu governo, Dilma Rousseff está tirando da oposição a bandeira da ética da qual se apropriou indevidamente.

Mas não é isso que vai acabar com a corrupção no Brasil, embora seja promissor. A corrupção vai acabar com a consolidação da democracia, a punição dos corruptos e de seus corruptores, mas principalmente com o acesso de todos os brasileiros à educação e à cultura.

É no exercício da cidadania que se forja o espirito crítico de um povo. E é com esse espírito crítico que cada brasileiro terá consciência do valor de seu voto escolhendo com consciência seus representantes.

Lula recebe título de doutor honoris causa da mais prestigiosa instituição de ensino superior da Europa

Por Dalva Teodorescu


O Instituto de Ciências Políticas de Paris (science Po) vai homenagear o ex-presidente Lula com o título de doutor honoris causa.

A escolha de Lula pela prestigiosa instituição é um “reconhecimento do corpo acadêmico da força de transformação do presidente Lula para o Brasil e para o lugar do Brasil no mundo”.

Lula receberá o título em 27 de setembro.

O presidente será a primeira personalidade latino-americana e a 16° personalidade a receber a distinção desde a fundação do Instituto, em 1871.

segunda-feira, 18 de julho de 2011
























FÉ, MACUMBA E MÁGIA








Para Artur Bispo do Rosário a prática era a de ordenar, catalogar, preencher, envolver e assim com esses procedimentos criar obras movidas por uma loucura santa, pois testemunhas de uma fé inabalável. A fé dos ditos loucos é assim, desmedida, demasiada. Mas quando o que seria desordem e caos, sintomas de loucura, são sanados com as quatro categorias iniciais desse texto, necessariamente devemos aprofundar os nossos olhos nesses artefatos produzidos, em buscas de novos significados e em busca de nossas próprias curas.


Em Artur ordenar é lidar com o pensamento hierárquico, confirmando status, conflitando ou alterando as relações amplamente estabelecidas. A confirmação se dar pelo reconhecimento de elementos da mesma origem, mesma cor, mesmo tamanho. O conflito prever o distanciamento dos elementos, enquanto se medem. A alteração é a confirmação de uma nova ordem desejada.


Catalogar em artes visuais é sinônimo de mapear, mas do que um arquivismo de dados de uma experiência cientifica, é a confirmação de uma poética que vai buscar nos signos gráficos ao mesmo tempo ordem e inebriamento, precisão e difusão. Em Bispo quase sempre é o uso da escrita e numeração, tornando o nome em visível, em um signo que intrinsecamente traz uma carga visual. Seu catalogar é antes de tudo uma tensão visual. No catalogar de Bispo, percebe-se que uma lei maior está permeando a ordenação espacial.


Preencher é a eliminação da laguna, é sobrepor ao valor efêmero que possuem os materiais, o valor eterno que só uma nova significação superior à condição meramente física alcança. Em Bispo o preenchimento é movido por uma obsessão de ser o tudo, de levar tudo, de ser ao máximo. Ele é rico e poderoso por ter tudo aquilo que significa muito, e uma vez preenchido espaços com esses símbolos uma grande dor do ser e do ter é resolvida.


Envolver ou encapsular é guardar a aparência real das coisas, dando a estas, outras qualidades e sentidos. Assim quando Bispo envolve uma ferramenta de metal, uma serra, por exemplo, com fios de linha, ele busca tornar o que é um objeto que normalmente seria lido pela sua função em um objeto simbólico. Tornar macio o que é duro, torna aparentemente leve o que é pesado, torna-se o guardião da forma disfarçando sua aparência. Para Jorge Anthonio e Silva “Mudar a exterioridade dos corpos, pelo processo de encapsulamento, é um princípio cuja propriedade subjetiva pode estar nas origens da condição paradoxal do artista, com a cisão do eu e a projeção do inconsciente sobre a razão.”



“Talheres” é um exemplo do ato puro de ordenar: são 49 colheres de sopa, dez colheres de chá, quatro de café, cinco de sobremesa, dez garfos e seis facas, em metais variados. Nesta montagem também há um total preenchimento da base.


Em “Macumba” elementos de rituais religiosos, são ordenados em uma montagem em forma de vitrine. As imagens de santos, e mitos de umbanda vêem na parte de cima, com elementos de oferendas, colares, crucifixo e estrela de David. Em Baixo predomina elementos decorativos associados a uma série de colares. O preenchimento obedece a uma hierarquia de ordenação.


Em “abajur”, a intuição mística estaria mais para um ato de magia, se visto em contraponto com “Macumba”. Sugere uma casa, com certo clima para sua diretora de tudo: Rosângela Maria. Na parte de cima predomina elementos decorativos, com os abajures, replicas das esculturas da cabeça de Nefertit e de um mago árabe. Na parte de baixo, elementos encapsulados e outros em plástico e metal nos sugerem a parte estrutural do edifício.


O Manto é o próprio testemunho da fé em Bispo. Nele tudo e ordenação, preenchimento, catalogação e envolvimento. É sua obra com a finalidade de promover seu encontro com o divino na hora em que anjos o guiaria para a construção de uma novo tempo. Tomara Bispo que nossos destinos tenham sidos traçados pela sua santa loucura num ato de Fé, Macumba e Magia.




O manto da apresentação



Até mais,

do Abade Pimentel para o Bispo do Rosário









































sexta-feira, 15 de julho de 2011

Ronaldino Gaúcho foi agraciado pela Academia Brasileira de Letras

Por Dalva Teodorescu


Ronaldino Gaúcho foi agraciado pela Academia Brasileira de Letras com a medalha Machado de Assis por serviços prestados à Seleção Brasileira de Futebol.

A decisão deixou mais de um indignado. Com tanta gente letrada por aí esquecida.

Mas não causou surpresa, depois que Merval Pereira se tornou imortal.

Machado de Assis deve estar se remoendo na tumba de ver que a casa que fundou caiu na vida.

Quem se lembrará de Merval e sua coletânea de artigos escritos para o jornal O Globo daqui há 50 anos?

O novo Teatro Municipal e os velhos hábitos que incomodam

Por

Juçara Amaral (coreógrafa e bailarina) e
Dalva Teodorescu


O Teatro Municipal não está respeitando uma norma, estabelecida durante a gestão da ex-prefeita Luiza Erundina, de liberar, antes do início do espetáculo, os lugares reservados que não foram ocupados.

É deplorável para os artistas e para o público, que só encontrou ingressos em galerias, observar fileiras inteiras vazias, na plateia e no Balcão nobre, após início do espetáculo.

Em geral, esses lugares são reservados á empresas que apoiaram a realização do espetáculo e isso é completamente normal e moral.

O que não é normal é não estabelecer normas condicionando a oferta do ingresso à necessidade de se chegar no mínimo meia hora antes do início do espetáculo. Passado esse tempo, o Teatro teria a disponibilidade de vender ou trocar os lugares, beneficiando aqueles que não conseguiram ingresso ou só conseguiram com visão prejudicada.

No Municipal, o cesso á sala de espetáculo só e permitido cinco minutos antes do início. Isto induz o público a chegar na última hora o que dificulta a sua acomodação. Depois de começado o espetáculo as portas continuam abertas, o que prejudica a concentração necessária para o evento.

Mas o respeito aos artistas e à atividade que se está promovendo deve ser dado primeiro por quem produz o espetáculo e por quem administra o Teatro.

Não é exclusividade do Municipal só abrir as portas no último minuto antes do espetáculo. Isso ocorre em vários teatros de São Paulo que concentram o público, espremido nas portas da entrada, como boiada diante da porteira.

Uma prática bizarra.

Brasil em 7.º lugar no quesito da eficiência dos governos em inovação e criatividade.

Hoje, o jornal o Estado de São Paulo traz na seção Opinião dados sobre a avaliação do Indicador Global de Inovação do país, por órgãos da Europa e da ONU. .

Não é comum a imprensa dar destaque as boas notícias sobre o Brasil.  Por isso publicamos aqui a matéria do Estadão.


Inovação na América Latina
15 de julho de 2011
0h 00

• Leia a notícia

- O Estado de S.Paulo

Ao avaliar de acordo com novos critérios a evolução do processo de inovação na América Latina, o Insead, uma das principais escolas de negócios da Europa, chegou a conclusões animadoras e até surpreendentes. Em relatório que publica anualmente, em parceria com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi), uma agência especializada da Organização das Nações Unidas, o Insead apontou uma notável evolução do Brasil no Indicador Global de Inovação (GII, na sigla em inglês). Entre 125 países analisados, o Brasil ocupa o 47.º lugar, 21 posições à frente da classificação obtida no relatório de 2010, e agora à frente da Rússia e da Índia. De acordo com o estudo do Insead e da Ompi, o Brasil cria muito com poucos recursos e, por isso, no quesito da eficiência dos governos em inovação e criatividade está em 7.º lugar, à frente das principais economias industrializadas.

No capítulo sobre os avanços recentes da América Latina no campo da inovação - isto é, o desenvolvimento de novos produtos, mudanças nos processos produtivos, métodos de marketing e evolução do ambiente econômico e do modelo de negócios -, o relatório afirma que o tema passou a ocupar uma posição destacada entre as principais preocupações dos governantes e dos dirigentes das empresas. O ambiente político e econômico da região ficou mais favorável para a atividade produtiva e para a inovação, em razão da adoção de políticas fiscais mais rigorosas e claras e, depois da crise global, de medidas que evitaram a estagnação econômica.

Sem deixar de considerar na devida proporção elementos conhecidos e essenciais para aferir o grau de inovação nas economias nacionais e nas empresas - como os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, o número de patentes requeridas e registradas anualmente, a participação dos produtos de alta tecnologia na pauta de exportações de um país e a produtividade média da economia, entre outros -, o relatório do Insead/Ompi leva em conta outros fatores de grande relevância na América Latina.

Um deles é a inovação num país com abundantes recursos naturais. O exemplo de política pública eficiente nessas condições, citado pelo relatório, é o trabalho da Embrapa, que tem estimulado o cultivo das variedades mais adequadas a cada região do País. Outra política destacada pelo Insead e pela Ompi é a formação de nichos tecnológicos com apoio público ou privado, como os arranjos produtivos locais estimulados pelo Sebrae. Na inovação voltada para a preservação ambiental, o relatório cita o desenvolvimento do etanol no Brasil, que transformou a América Latina na segunda maior região produtora de biocombustível do mundo.

O relatório observa que, para melhorar sua posição no mundo, a América Latina precisa melhorar seu capital humano - pesquisadores, empreendedores, gerentes, empregados, fornecedores e clientes -, melhorando o sistema de educação formal em todos os níveis e o treinamento e retreinamento da mão de obra.

Os governos precisam assegurar ambiente adequado para a produção e a inovação, oferecer condições adequadas para o desenvolvimento da pesquisa científica e garantir a estabilidade das regras para a atividade econômica e a infraestrutura necessária, inclusive por meio de uma rede ampla de internet de alta velocidade. É preciso, também, que haja fonte de financiamentos para as empresas empreendedoras.

São condições conhecidas há muito tempo, mas que o Brasil ainda não consegue oferecer. Dos 125 países examinados, o Brasil ocupa a 95.ª posição no que se refere à qualidade do sistema de ensino superior. Quanto a ambiente para a realização de negócios, a posição brasileira é ainda pior: 118.ª. Além de ter uma carga tributária classificada entre as 5 piores entre os 125 países, o Brasil é o penúltimo em termos de rapidez na abertura de novos negócios. Tudo isso tem muito a ver com a ação do poder público.

Por isso, o avanço do Brasil no campo da inovação depende muito mais do governo do que do setor privado.

Tópicos: Opinião, Versão impressa

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Pão de Açúcar desiste da fusão com o Carrefour e quem perde é a economia nacional

Por Dalva Teodorescu

Tão logo o foi anunciado que Abílio Diniz desistiu da fusão entre o Pão de Açúcar e as operações do Carrefour do Brasil veio a notícia que a americana Walmart está interessada em comprar as operações brasileira do grupo francês.

Hoje, matéria publicada em O Globo trás a informação que além do grupo francês Casino controlar o Pão de Açúcar a partir de 2012, a fusão do Carrefour com a americana Walmart permitiria a americana controlar 30% do varejo nacional. A isso se adiciona a ampliação dos negócios do grupo chileno Cesconsud no Brasil á partir de 2012.

A imprensa que foi a primeira a denunciar investimento privado com dinheiro público na operação, agora informa que o setor hiper/supermercadista nacional vai perder dois terços do seu controle para os grupos estrangeiros se ela não ocorrer.

Os três grupos estrangeiros passariam a deter 60% do varejo supermercadista no Brasil, contra os cerca de 30% hoje. O percentual chegaria a 65% em estados como São Paulo, informa o jornal.

A estimativa, segundo O Globo, foi feita por Claudio Felisoni, presidente do programa de administração do varejo/ibevar que não vê nessa concentração um problema porque isso já ocorre em outros setores, como o automobilístico.

Os que criticam a participação do BNDS na fusão alegam que não existe na operação o componente desenvolvimentista de se investir no varejo, por isso o Banco não deveria ser a premissa básica para sua realização.

Citado pelo jornal, Olavo Henrique Furtado, coordenador de pós-graduação e MBA da Trevisan Escola de Negócios, afirma que “a participação de dinheiro público em operações segue a linha chinesa de participação pesada do Estado em vários setores, como ocorre com a China”.

Para Furtado, “perdemos uma grande chance de ser um player no varejo mundial, que é um segmento de grande visibilidade. Seria de certa forma o que Embraer e JBS representam para o segmento deles”.

Diniz sempre defendeu que a entrada do BNDES na operação visaria evitar o risco de desnacionalização do setor varejista no país.

Diante a enxurrada de críticas inclusive de setores progressistas, não tinha como o governo apoiar a iniciativa do BNDS de financiar a fusão.

Hoje em seu blog, Brizola Neto denuncia o que considera uma entrega do setor ao capital estrangeiro. Trata-se de um “mercado de 190 milhões de consumidores, com poder de compra crescente, sob um virtual oligopólio estrangeiro – como ocorre no próprio setor automobilístico”.

Brizola lembra que na operação está em jogo não apenas grupos empresariais, mas nações. Segundo ele, a operação não era um bom negócio somente para Abílio Diniz e que a sua inviabilização representa um mau negócio para o país, que caminha para ser o terceiro maior mercado de varejo do mundo.

Perde com isso o setor hiper/supermercadista nacional e ganha reforço a regra do mercado liberal cuja premissa básica é evitar que o Estado invista em mercados lucrativos resevados aos grandes grupos empresariais. Ainda que, como lembra Brizola Neto, isso nos leva a “desnacionalização de uma economia nacional que, quanto mais cresce, menos nossa é”.  http://www.tijolaco.com/gorado-o-negocio-ja-podem-dizer-a-verdade/