Por Dalva Teodorescu
No mesmo dia em que a Science Po de Paris homenageava Lula, José Serra dava entrevista ao Jornal Espanhol El País.
Afirmou ao Jornal que a corrupção no Brasil nunca foi tão séria como no governo petista. Disse que a origem da corrupção está no fato do governo entregar áreas de poder aos partidos da base aliada.
O ex-governador de São Paulo omite que a corrupção no Brasil é quase endêmica. Ela nasceu no tempo de Pero Vaz de Caminha (é só ler as biografias das grandes personalidades nacional, como D. Pedro II, Nabuco, etc.).
Todos os cargos do segundo império eram ocupados por apadrinhamento. Inclusive indicação para candidatura à eleição para deputados e senadores.
Veio a República e nada mudou, porque o regime era novo, mas os homens eram os mesmos.
Piorou muito na época da construção de Brasília. Houve denúncias de superfaturamento das obras e favorecimento a empreiteiros ligados ao grupo político do ex-presidente JK. Além de indicìos de que a empresa aérea Paner do Brasil, de propriedade de amigos de Jucelino, detinha a exlusividade do transporte de pessoas, materiais e equipamentos enviados para a construção de Brasília.
Quem não se lembra da campanha para a presidência da República de 1960, quando Jânio Quadros prometia varrer a corrupção de Brasília?
Durante a ditadura militar a coisa piorou ainda mais. A censura aos órgaos de comunicação impedia qualquer tentativa de denúncia.
A área dos transportes virou o grande negócio com as obras que o governo criava no coração do Brasil, em grande parte para combater as guerrilhas.
A Transsamazônica foi uma vergonha nacional. Nós antropólogos assistíamos com dor e impotência cada árvore centenária que tombava na selva amazônica e denunciávamos o descaso com os indíos da região. Isso só nos Centros Acadêmicos. Nada na imprensa. Tudo era proibido.
Veio o ex presidente Collor com a campanha contra os marajás, mas uma vez no governo a corrupção foi tanta que acabou sofrendo impeachment.
No governo Fernado Henrique Cardoso o ministério do transporte ficou com o PMDB e as denúncias de corrupção nunca deixaram de existir. Nem no trasporte nem nas outras áreas. É só lebrar da corrupção na construção do Fórum de Sao Paulo que durou anos e consumiu milhões de reais dos cofres públicos.
A compra de votos para aprovar emendas era e ainda é uma pratica antiga no Congresso Brasileiro. Começou com Eduardo Azeredo do PSDB de MG . Foi usada para aprovar a reeleição de FHC, mas só veio a público no governo do PT e ficou conhecida por mensalão.
Houve também o mensalão do DEM com imagens estarrecedoras de corrupção por políticos de Brasília.
As denúncias de corrpção aumentaram nos últimos anos porque a Polícia Federal passou a investigar mais e de maneira independenteu. Isto é um fato. Mas é inegável que com o aumento do Estado aumenta também a corrupção.
Com tudo isso, a oposição, com a cumplicidade da velha mídia, decidiu colar a prática de corrupção ao governo do PT. A reeleição de Lula em 2006 e a vitória de Dilma Rousseff em 2010 mostraram que o povo não endoussou essa visão unilateral forjada pela oposição.
Dilma Rousseff assumiu a presidência e fez o que nenhum de seus sucessores fizeram. Nem FHC nem Lula. Limpou a área dos transportes da influência do PR, o partido do respeitadissímo ex vice presidente José Alencar. Os brasileiros torcem para que ela continue a limpeza em outros ministérios, feudos dos partidos da base aliada.
Com a limpeza no seu governo, Dilma Rousseff está tirando da oposição a bandeira da ética da qual se apropriou indevidamente.
Mas não é isso que vai acabar com a corrupção no Brasil, embora seja promissor. A corrupção vai acabar com a consolidação da democracia, a punição dos corruptos e de seus corruptores, mas principalmente com o acesso de todos os brasileiros à educação e à cultura.
É no exercício da cidadania que se forja o espirito crítico de um povo. E é com esse espírito crítico que cada brasileiro terá consciência do valor de seu voto escolhendo com consciência seus representantes.
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