quarta-feira, 13 de julho de 2011

Pão de Açúcar desiste da fusão com o Carrefour e quem perde é a economia nacional

Por Dalva Teodorescu

Tão logo o foi anunciado que Abílio Diniz desistiu da fusão entre o Pão de Açúcar e as operações do Carrefour do Brasil veio a notícia que a americana Walmart está interessada em comprar as operações brasileira do grupo francês.

Hoje, matéria publicada em O Globo trás a informação que além do grupo francês Casino controlar o Pão de Açúcar a partir de 2012, a fusão do Carrefour com a americana Walmart permitiria a americana controlar 30% do varejo nacional. A isso se adiciona a ampliação dos negócios do grupo chileno Cesconsud no Brasil á partir de 2012.

A imprensa que foi a primeira a denunciar investimento privado com dinheiro público na operação, agora informa que o setor hiper/supermercadista nacional vai perder dois terços do seu controle para os grupos estrangeiros se ela não ocorrer.

Os três grupos estrangeiros passariam a deter 60% do varejo supermercadista no Brasil, contra os cerca de 30% hoje. O percentual chegaria a 65% em estados como São Paulo, informa o jornal.

A estimativa, segundo O Globo, foi feita por Claudio Felisoni, presidente do programa de administração do varejo/ibevar que não vê nessa concentração um problema porque isso já ocorre em outros setores, como o automobilístico.

Os que criticam a participação do BNDS na fusão alegam que não existe na operação o componente desenvolvimentista de se investir no varejo, por isso o Banco não deveria ser a premissa básica para sua realização.

Citado pelo jornal, Olavo Henrique Furtado, coordenador de pós-graduação e MBA da Trevisan Escola de Negócios, afirma que “a participação de dinheiro público em operações segue a linha chinesa de participação pesada do Estado em vários setores, como ocorre com a China”.

Para Furtado, “perdemos uma grande chance de ser um player no varejo mundial, que é um segmento de grande visibilidade. Seria de certa forma o que Embraer e JBS representam para o segmento deles”.

Diniz sempre defendeu que a entrada do BNDES na operação visaria evitar o risco de desnacionalização do setor varejista no país.

Diante a enxurrada de críticas inclusive de setores progressistas, não tinha como o governo apoiar a iniciativa do BNDS de financiar a fusão.

Hoje em seu blog, Brizola Neto denuncia o que considera uma entrega do setor ao capital estrangeiro. Trata-se de um “mercado de 190 milhões de consumidores, com poder de compra crescente, sob um virtual oligopólio estrangeiro – como ocorre no próprio setor automobilístico”.

Brizola lembra que na operação está em jogo não apenas grupos empresariais, mas nações. Segundo ele, a operação não era um bom negócio somente para Abílio Diniz e que a sua inviabilização representa um mau negócio para o país, que caminha para ser o terceiro maior mercado de varejo do mundo.

Perde com isso o setor hiper/supermercadista nacional e ganha reforço a regra do mercado liberal cuja premissa básica é evitar que o Estado invista em mercados lucrativos resevados aos grandes grupos empresariais. Ainda que, como lembra Brizola Neto, isso nos leva a “desnacionalização de uma economia nacional que, quanto mais cresce, menos nossa é”.  http://www.tijolaco.com/gorado-o-negocio-ja-podem-dizer-a-verdade/

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