domingo, 4 de setembro de 2011

Fiel a ela mesma, a Folha faz o jogo do dedo duro

Por Dalva Teodorescu

Um dia depois de Fernando de Barros e Silva criticar a revista Veja de praticar “catecismo raivoso de direita", a Folha mostra o quanto demagogo é o comentário. Na verdade, a Folha é o jornal do Brasil que mais se iguala às práticas da Veja. O pior é que o faz travestido de esquerda.

A capa da Folha com foto de Cesare Battisti, com manchete a Dolce vida clandestina" é digna somente de Folha e Veja.

Com a manchete, a Folha assume o papel de “dedo duro” com fato sem fundamento jurídico.

Cesare Battisti está em situação legal perante a justiça brasileira. Para que então essa capa?

Aliás, a chamada de capa denota o pouco de respeito dos editores com a repórter que realizou matéria bastante correta, é de se reconhecer.

Na matéria interna Battiti diz ter se isolado para se reconstruir, como pessoa e como cidadão, e a chamada dizendo que " ex guerrilheiro esconde sua identidade" choca também porque contraria essa necessidade do escritor.

O que busca a Folha com isso? Que público procura atingir? A quem ela busca agradar?

Acompanhei a estadia de Battisti na França, durante o governo Mitterrand. O ex-presidente francês sempre defendeu que se a Itália não revisse o processo de Battiti, acusado sob regime de delação premiada ,ele não o entregaria.

Foi esse também o argumento usado pelo Brasil. A Itália sempre negou a rever o processo.

Jaques Chirac assumiu a presidência e atendeu ao pedido de extradição da Itália. Toda a esquerda francesa se manifestou em apoio a Battiti, principalmente setores da imprensa. Não adiantou. O italiano então fugiu da França com a ajuda de escritores, simpatizantes da esquerda francesa.

Enquanto viveu na França, por vontade do governo de Mitterrand, Battiti não era visto como criminoso,  mas como cidadão, como todo francês. Publicava seus livros e o apresentava na imprensa. Não era vigiado nem delatado, como está fazendo a Folha.

Em muitas situações, países ocidentais, por puro racismo, aplicam a dupla pena aos imigrantes condenanados pela justiça. Depois de cumprir pena em prisão são expulsos pelo governo.

No Brasil, Battiti cumpre a dupla pena: a da justiça, perante a qual está em situação legal, e a da imprensa que continua a condená-lo e a caçá-lo, como um animal acurralado.

A Itália ainda pede a extradição de outra ex-terrorista vivendo na França, que recusa de lhe entregar. Curiosamente a Itália não fez o mesmo escândalo. Talvez porque não tenha tido o apoio da mídia local, como aqui.

Do mesmo modo, a Itália se recusa a extraditar um general Paraguaio e ninguém a contesta.

Depois quando se fala em REGULAMENTAÇÂO da mídia, a Folha grita CONTROLE e CENSURA.

Em todos os países democráticos e civilizados existe regulamentação da mídia. Que o Brasil também atinja sua maturidade democrática.







Um comentário:

  1. Interessante seus comentários, abrangentes. Lí as matérias da Folha, Veja, Estadão, etc., sempre com interesses dirigidos, parciais. E não dá pra não ver: conforme a publicidade nas mídias deduzimos a integridade do veículo.

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