Por Dalva Teodorescu
O juiz Michel Obus de NY aceitou o pedido do procurador Cyrus Vance de arquivamento das acusações de estupro, feita pela camareira Nafissatou Diallo, contra o ex-chefe do FMI Dominique Strauss-Kahn.
A maioria do povo francês sempre acreditou na versão de Strauss-Kahn de que houve relação sexual, mas que foi um ato consentido.
No documento encaminhado ao juiz, divulgado pelo jornal Le Monde, o procurador afirma que a camareira “forneceu três versões inconciliáveis sobre o fato”.
Nafissatou Diallo atribuiu suas incoerências à erros de tradução do seu depoimento da língua fulani (falada na guiné) ao inglês ou de incompreensão do procurador.
Mas este argumentou que “a camareira mostrou inúmeras vezes sua capacidade de falar e de compreender o inglês” e acrescentou “que a credibilidade da acusadora não resiste a mais básica das avaliações”.
Além dessas divergências no depoimento, o procurador ressalta a tendência “persistente” de Nafissatou Diallo de fazer falsas declarações, como um estupro coletivo do qual foi vítima na Guiné, seu país de origem, que depois ela reconheceu ter “inventado completamente”.
“Num tal processo, diz o procurador, o fato da acusadora já ter feito um falso testemunho a propósito de uma agressão sexual é muito significativo”.
O procurador ressalta ainda que “a capacidade de Nafissatou Diallo contar esta ficção (o estupro coletivo) com total convicção convenceu investigadores experimentados”.
Por outro lado, o procurador ressalta que "as mentiras da acusadora portam igualmente sobre elementos que não são diretamente ligados ao fato, como suas condições de acesso à moradia ou a origem do dinheiro depositado em sua conta bancária”. “Não podemos fazer confiança nela" insiste o procurador.
Quanto às provas materiais da agressão, o procurador nota que elas têm um “valor limitado no que concerne os pontos chaves que são o uso da força e o não consentimento. As provas demonstram que o acusado teve uma relação sexual rápida com a acusadora, no dia 14 de maio de 2011. Mas isso não demonstra se a relação foi forçada ou consentida, e se pode corroborar o relato da acusadora”.
Este documento convenceu o juiz Michel Obus que decidiu arquivar o processo.
O advogado de defesa de Nafissatou Diallo vai continuar o processo na área civil, que prevê indenização por danos.
Com o arquivamneto do processo penal Strauss Khan está livre, e deve voltar à França dentro de 24 horas, diz o jornal Le Monde.
Desde ontem, membros do Partido Socialista anunciavam que Strauss-Khan dará grande contribuição aos rumos da economia francesa, nesse momento de crise.
Esperemos o desenrolar dos fatos.
Fonte Plural é um espaço aberto ao debate sobre política nacional e internacional, artes e produção cultural. Dalva Teodorescu comenta notícias da chamada “grande imprensa” e temas de sociedade em geral. Sandro Pimentel divulga informações sobre artes visuais e produção cultural. Fernando Cardoso trará notícias de Teatro, Cinema e Gastronomia. Outros colaboradores trarão temas como Saúde Pública, Arquitetura, Drogas e Sociedade, Diversidade Sexual e Gênero.
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