No dia 19 de Agosto comemora-se o dia da Fotografia. Para celebrar os instantes que se perpetuam e hoje se espalham pelas teias de silício difundida pela rede mundial, me inspiro livremente no poema "Fotografia de Mallarmé" do mestre Ferreira Gullar.
Fotografia é o resultado de uma ação planejada, antecipadamente como o processo de elaboração e ordenação como, se de um crime, por meio de sua estruturação e preparação; é preciso prestar atenção nos detalhes, nas pequenas sutilezas que precedentemente são preparadas com total preocupação com a imagem que deve estar equilibrada, numa perfeita simetria, como um trapézio embasado pela Teoria de Pitágoras.
Assim como antes de escrever, a caneta ponderada no papel em branco para oficializar perpetuamente o ato concretizado. E após o segundo fracionado que o clique converge no instante milimetrado, e a cena composta devasta-se com a objetividade; e a vida volta a trilhar o seu caminho, seu cotidiano flui morosamente com a sua habitualidade, com suas imperfeições e falhas. Mas isso não é captado, pois a imagem “feita perfeita” é que ficará para a posteridade, acima do verdadeiro momento decorrido; como se o real transmutasse em além – o imaginado -, o que era utopia concretiza-se.
Mas o tempo transpõe seus místicos umbrais, e no presente, o que resta do passado, das memórias, são apenas manchas, lembranças ofuscadas, reminiscências diluídas, que se perdem na vasta memória sem profundidade.
Mas o olhar fica, pois encontra o outro olhar – os olhos de quem vê – acima de toda a perenidade da existência, a morte é a certeza de todos nós.
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