Depois do bilionário americano, Warren Buffett, surpreender o mundo, com um artigo onde afirma que paga menos imposto do que seus funcionários, o que acha inconcebível, agora é a vez dos bilionários franceses lançarem um apelo pedindo para pagar mais impostos.
Eles são 18 a assinar um documento onde afirmam querer contribuir para a redução do déficit público francês. No documento afirmam que “no momento que o governo pede a todos um esforços de solidariedade, nos parece necessário de contribuir”. “Eles pedem a instauração de uma contribuição excepcional que atingiria os franceses mais favorecidos”.
O texto foi publicado na revista semanal francesa, Le Nouvel Observateur.
Parece irônico que o pedido de tributar as grandes fortunas tenha partido dos bilionários.
Sim, porque os políticos de direita em geral, seja no Brasil, Estados Unidos e Europa, recusam aumentar o imposto sobre as grandes fortunas.
Nos EUA recentemente o Congresso quase abalou a credibilidade do país porque os republicanos recusaram o pedido de Obama para que os mais ricos pagassem mais impostos, diante da crise econômica.
Bresser Pareira, quando foi ministro da fazenda no governo José Sarney, aventou com a ideia de tributar as grandes fortunas e grandes heranças, como se faz em todo país civilizado. Não segurou e caiu em 9 meses.
Bresser voltou a ser ministro durante todo o governo de FHC, mas nunca mais tocou no assunto. Era e ainda é um assunto tabu no Brasil.
Quando Lula assumiu a presidência, uma de suas primeiras medidas foi encaminhar um projeto de lei ao Congresso visando tributar as grandes fortunas. Foi um Deus nos acuda.
Jornalistas e parlamentares todos criticavam a medida e o projeto não passou. Foi uma das primeiras derrotas do governo trabalhista, então recém eleito. Nem um deputado saiu em defesa da proposta. Nem os do PT.
Nunca mais se falou no assunto, embora sempre surjam denúncias de que os pobres pagam mais impostos do que os mais ricos, no Brasil.
Agora que os ricos americanos e europeus decidiram, eles próprios, que querem pagar mais porque consideram que pagam muito pouco diante de suas fortunas, nossos milionários vão seguir o seu exemplo?
E será que nossos nobres parlamentares vão agora aceitar que se tribute grandes fortunas no Brasil?
Afinal, não foi dito que o que é bom para os EUA (e para os países ricos da Europa) é bom para o Brasil? Está aí um exemplo a seguir.
Segue a lista dos assinantes do manifesto francês :
Jean-Paul Agon, PDG de L'Oréal, Antoine Frérot, DG de Veolia Environnement, Denis Hennequin, PDG de Accor, Marc Ladreit de Lacharrière, presidente de Fimalac, Maurice Lévy, PDG de Publicis, Christophe de Margerie, PDG de Total, Frédéric Oudéa, PDG da Société Générale, Jean Peyrelevade, presidente de Leonardo France, Franck Riboud, PDG de Danone, Stéphane Richard, PDG d'Orange, Louis Schweitzer, presidente de Volvo e de AstraZeneca, Marc Simoncini, presidente de Meetic, Jean-Cyril Spinetta, presidente do Conselho de Administração de d'Air France-KLM e do Conselho de Vigilância de Areva e Philippe Varin, presidente do diretório de PSA Peugeot-Citroën. Claude Perdriel, presidente do Conselho de Vigilância do Nouvel Observateur e Liliane Bettencourt de L'Oréal.
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