segunda-feira, 11 de julho de 2011

POR QUÊ EXISTIMOS?

Por Fernando Cardoso

Ás vezes me pego furtando com a questão que insiste em martelar minha cabeça: “Por quê existimos?”. Existe algum fundamento nesta caótica existência? Será que realmente queremos sucumbir com nossa famigerada raça? Existe o Apocalipse? E onde está a gênese humana? Muitas teorias, divagações, mas muito pouco, pode-se concluir. Na verdade ficamos num grande jogo de razão e emoção. Alguns são mais felizes, simplesmente se apegam em sua fé, e não precisam enxergar nada. Outros se agarram em conclusões lógicas e científicas e o que não pode ser embasado não passa de resquícios na mente cética.
 Na verdade não sabemos viver a nossa própria vida, nos perdemos diante de nossa essência que fica surrupiada diante da liquidação mercadológica de ideologias. Não sabemos aproveitar o hoje. Que bom se soubéssemos usar o mínimo desta caixa que nos foi dotada e que nos diferencia como pensantes diante dos outros animais.  Aliás, cada animal deste mundo nem sabe o seu por quê. É instinto... É assim com todos, até com nós que ousamos dizer que pensamos. Pois é, seria tão fácil ficar com a famosa frase da música de Roberto Carlos: “É preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer. É preciso saber viver.”
Diante desta simplicidade de viver, ultrapassamos as barreiras e nos colocamos numa complexidade que no final quem sai perdendo somos nós mesmos.  Exigimos tanto de nós mesmos que acabamos ficar sem lastro nenhum para nos equilibrar diante deste grande jogo da vida.  Tantos questionamentos, perturbações, inquietações... já não bastassem as internas, temos que lidar com as interferências externas: a violência urbana, a corrupção, as falcatruas e maracutaias que não estão apenas nos noticiários, mas insistem em nos assombrar também em nossa comunidade e também na família.
Aliás, deveríamos aprender a lidar com a diversidade de mundo que se apresenta diante de nós, não só da flora, fauna e outros recursos naturais, mas também a diversidade humana, tentando compreender as interfaces de cada ser. Os governantes deveriam valorizar mais cada ser que faz parte desta espécie que caminha mais perto do grande dilúvio. Possibilitando melhores condições de uma verdadeira e real integração, com melhorias na educação, possibilitando um acesso  à cultura, fomentando um verdadeiro cidadão e não apenas somando mais um diante da massa.
Eliminando todo e qualquer ranso que possa prejudicar. Parar com as condenações, pois sempre fazemos com uma visão parcial das coisas. Sem deixar levar pelos padrões impostos pela sociedade. Por que insistimos nesta falsa condição? Por que deixamos condicionar nossos pensamentos? Que mania é essa de querer rotular? Não somos produtos armazenados em prateleiras. Somos seres humanos. Cadê a nossa essência? Cadê o coração? Cadê a chance de viver a vida em sua plenitude? Cadê a chance de conhecermos a nós mesmos de verdade? Cadê a chance de conhecermos os outros? Cadê a chance de realmente sentirmos o sabor do mundo? Aquele gosto da verdade e nada mais. Não importa se há momentos doces ou amargos. Mas prevalecendo que são momentos verdadeiros. Por que continuamos arraigados nessa hipocrisia que não nos leva a nada? Cadê o verdadeiro “carpe diem”?
Por vezes no achar o verdadeiro ideal nós encontramos como  anunciou Carlos Drummond: “no meio do caminho tinha uma pedra”. E por vezes é tão ínfima essa dificuldade, mas não é como vemos, pois  somos condicionados a transformar nossos problemas em verdadeiros “Golias”. E outras vezes não agimos com o pragma e ficamos no será. Por que temos medo de ir em frente? Por que o medo? Por quê? Enquanto estivermos pensando na busca colocando os outros no lugar de nós,  acho que estamos nos perdendo. Estamos sucumbindo dentro da falsa verdade que queremos acreditar. Mas é mais fácil asssim. Até quando? Até quando essa pequenez de alma estará em nós? Cadê aquelas antigas almas grandes que se permitiam sonhar? Sonhar? Que bobagem. Se sonhamos, as pessoas acham que vivemos uma fantasia. Mas sou teimoso, prefiro viver sonhando do que ser um realista infeliz.

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