Por Dalva Teodorescu
A reviravolta no caso Dominique Strauss Khan, foi um golpe para muitos que rapidamente o condenaram sem considerar a presunção de inocência. O socialista é conhecido por ser um sedutor, o que combina mal com a violência descrita pela acusação de agressão sexual.
Na última sexta feira DSK foi posto em liberdade pelo promotor Cyrus Vance que havia pedido a sua prisão domiciliar sob fiança de 6 milhões de dólares.
Seis milhões de dólares! E muitos brasileiros dizem que a justiça americana é igual para todos. Para todos que têm milhões de dólares, é bom lembrar.
Mas o promotor voltou atrás e declarou que a camareira, uma africana de Nova Guiné de 32 anos, mentiu em vários episódios, como em seu pedido de asilo aos EUA.
A camareira estaria envolvida em crime de lavagem de dinheiro e teria recebido em sua conta bancaria cerca de 100 mil dólares.
O seu depoimento teria sido pré-gravado por um homem e ela teria decorado, por isso deu duas versões diferentes do que teria ocorrido após a suposta agressão sexual.
Além do mais, 24 horas após o ocorrido no quarto 2803 do hotel Sofitel, a camareira teria telefonado ao seu namorado, presidiário por tráfico de droga. Na conversa falou dos ganhos financeiros com a denúncia.
Diante de tudo isso o promotor agiu rápido, mas muitos dizem que teria comprometido sua reputação de excelente profissional.
Os franceses cuja grande maioria sempre acreditou que DSK fosse vítima de um complô recebeu a notícia com alívio.
Muitos sentiam vergonha da maneira como foram tratados pela justiça e pela mídia americana e agora acreditam que são os EUA que se encontram em situação constrangedora.
A mídia americana que estampava a manchete “DSK é um pervertido” tem agora por manchete “A camareira é uma puta”. Como se todas as putas fossem mentirosas e golpistas.
Não fizeram a mea culpa, mudaram o foco das denúncias e dos ataques.
O caso ainda está em julgamento e DSK deverá comparecer em nova audiência no dia 18 de julho, mas segundo os melhores criminalistas de NY o caso deverá ser arquivado antes desta data.
Como a maioria dos franceses, nunca acreditei nas acusações. Me solidarisei com Anne Sinclair, esposa de DSK, adimiravel e estoica nessa história.
Sabendo dos estreitos laços do grupo Arcor com o UMP, o partido do presidente francês Nycolas Sarkosy, membros do partido socialista francês acreditam que o Sofitel poderia estar envolvido no assunto. O gerente do hotel foi o primeiro a sair em defesa da camareira atestando sua boa conduta, hoje contestada por colegas do Hotel.
Sabe-se agora que o Hotel comunicou a prisão de DSK a Sarkosy antes de ter se tornado pública. Sarkosy não acenou com a imunidade diplomática como é costume nesses casos.
A atitude da polícia de Nova York, cujo chefe foi condecorado por Nicolas Sarkosy, sem que ninguém saiba por que, também não é isenta aos olhos de muitos franceses do partido socialista.
O fato de o promotor ter reconhecido a conduta duvidosa da camareira e concedido a liberdade à DSK, um dia após a nomeação de Christine Lagarde ao posto de gerente chefe do FMI, posto ocupado antes por DSK, também causa certo mal estar.
DSK estava conduzindo as reformas no FMI. Havia conseguido alterar o peso dos votos dos países emergentes, promovendo maior equilíbrio em relação aos votos da UE. Estava trabalhando para que seu sucessor fosse um representante dos países emergentes.
Sua saída precipitou as eleições e reconduziu ao posto uma europeia, a francesa Christina Lagarde, liberal dura, ministra de Sarkosy e queridinha dos americanos.
Uma bela guinada à direita no FMI. E um belo retrocesso no papel dos emergentes.
Quanto ás eleições presidenciais de 2012, a maior parte dos franceses gostariam que DSK se apresentasse. As primárias socialistas devem ocorrer dia 12, mas o partido pode ser flexível e adiar a data para além do dia 18.
De qualquer forma DSK, apesar de se sair como vítima, tem uma imagem a refazer. Os aderentes do partido socialista francês acreditam que o mais prudente é Martine Aubry, presidente do partido e grande aliada de DSK, se candidatar à presidencia tendo o ex-chefe do FMI como primeiro ministro. Seria essa a dobradinha capaz de bater Sarkosy na eleição presidencial de2012.
Vamos aguardar.
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