Por Dalva Teodorescu
A imprensa propala o fracasso do leilão para o trem Bala ou Trem de Alta Velocidade (TAV) entre Rio e São Paulo. As empreiteiras nacionais boicotaram o leilão e somente representantes de multinacionais se apresentaram na BMF&Bovespa na segunda feira.
Na verdade as empreiteiras já havia se servido da imprensa para anunciar que não apresentariam propostas porque não concordaram com o custo estimado pelo governo e com o montante de sua participação no orçamento.
O governo previu custo de 33 bilhões enquanto as empreiteiras estimam valor de 55 bilhões para o total da obra. Além disso, exigem entrar somente com três bilhões, o resto seria pago pelo governo.
Simples assim. Mas para se ter uma ideia o trem bala da China, que cobre trecho muitíssimo maior do que o Rio /São Paulo, custou a metade do preço orçado pelas empreiteiras e foi realizado no prazo de 4 anos.
Mesmo considerando os baixos salários chineses a diferença é colossal.
O governo não quis adiar o leilão, mesmo com a ameaça das empreiteiras, porque já tinha um plano B preparado.
Agora, o leilão será dividido em duas etapas: uma para a escolha da tecnologia e a outra para a execução da obra civil.
A primeira etapa que será realizada no primeiro semestre de 2012 e vai se escolher o grupo que será responsável pelo projeto executivo e operador do TAV.
Com isso, o governo acredita ser mais fácil definir o valor das obras civis a ser definida na segunda etapa.
Os principais grupos interessados nessa operação são os franceses, alemães, espanhóis, japoneses e coreanos e o seu custo está estimado em 9 bilhões de reais.
A segunda etapa definirá os grupos que serão responsáveis pela execução da obra e está prevista para o segundo semestre do mesmo. A licitação será aberta par empresas nacionais e estrangeiras.
A obra será realizada por trechos e cada trecho será executado por empresas diferentes. O que significa que o consórcio que ganhar a licitação da segunda etapa terá que fazer novas licitações para escolher as empresas que participarão do projeto.
Com esse procedimento, o governo visa diminuir o prazo de conclusão da obra e obter maior controle sobre seus os custos.
Essa etapa está estimada em 24 bilhões. A participação direta do governo na obra será de quatro bilhões.
O governo não se curvou e as empreiteiras que se sentiram enquadradas agora falam que pediram a adiamento do leilão porque não tiveram tempo para formalizar acordos para participar do projeto.
Não consideram que o leilão já havia sido adiado duas vezes.
A imprensa e a oposição continuam criticando o projeto do TAV que consideram no mínimo ambicioso ou fantasioso.
O Brasil precisa se adequar o aos meios de transportes do século XXI. Não vamos fazer com o TAV o que fizemos com o metro que coloca as grandes cidades brasileiras como as menos servidas do mundo por esse meio de transporte.
O exemplo do metrô da cidade do México, um dos maiores das Américas, que iniciou no mesmo ano que o metrô da cidade de São Paulo, uma das piores do mundo, é um vexame.
Se quisermos continuar comparando o Brasil com a China, Coréia e outros países emergentes teremos que investir em infraestrutura de qualidade pensando a médio e longo prazo. O TAV é um exemplo.
Com o TAV uma viagem entre Rio e São Paulo será bem mais curta do que de avião, quando se considera o tempo para ir ao aeroporto, o registro de bagagens, etc.
É o que se observa hoje para ir de Paris a Lyon na França. Por isso os executivos preferem o TAV.
O preço também será competitivo e vai obrigar as companhias aéreas a rever os seus.
E depois será preciso ampliar muitos aeroportos, aumentar muito o número de voos para suprir a demanda de passageiros dentro de algumas décadas.
Que venha o TAV feiamente apelidado de trem bala.
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